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Movimento em Defesa da Vida da Arquidiocese do Rio de Janeiro

Testemunhos - Matrimônio


TESTEMUNHO DE UM PAI SOBRE A FELICIDADE – “Família Pedroso Barbosa”

Conheci poucas pessoas felizes na minha vida, a maioria das quais já em seu leito de morte. Uma dessas pessoas foi o seu José, que me foi apresentado no domingo do dia dos pais de 2003. Ele estava internado no Hospital Central do Exército, sentia dores e precisava de ajuda para se vestir. Tinha esposa e três filhos, mas ninguém apareceu para visitá-lo naquele dia. Só apareceram no dia seguinte, na segunda-feira, quando ele já havia falecido. Foram chamados para assinar os papéis do enterro, que o Exército ajudou a providenciar, e para dar entrada no pedido de pensão. Seu José estava feliz, me falou de Deus, que Deus existia, que antes ele não acreditava, mas que foi “juntando os pedacinhos” e passou a ter certeza. Eu saí do hospital em estado de euforia, enlevado pela presença de Deus, que resplandecia naquele homem. Ele não tinha nenhuma preocupação, nenhuma tristeza e nenhum desejo. Estava nos braços de Deus como uma criança no colo da mãe.

A grande ventura da paternidade é anunciar aos filhos essa realidade. Não há como ensinar, pois não é um conhecimento ou uma aquisição intelectual, e sim uma experiência de vida. Oxalá meus filhos vivessem todos, como eu, na expectativa desse encontro com Deus! Oxalá percebessem essa possibilidade de felicidade plena, estável e inalienável, que “o ladrão não rouba e a traça não rói”!

Tenho um certo receio quando recebo a designação de “homem feliz” ou quando se referem à nossa família como “família feliz”. Segundo o senso comum, o Cristo pregado na Cruz, traído, abandonado, despido, humilhado, maltratado, ensangüentado e escarnecido, não seria o modelo de um homem feliz. Mas Ele, enquanto homem, é o melhor modelo de felicidade que já existiu, simplesmente porque estava com Deus. Acho que o conceito de “felicidade” está contaminado com um sentido mundano, e misturado com uma série de perspectivas ilusórias e com uma hipertrofia de aspirações afetivas, que, ao invés de conduzirem o homem ao amor de Deus, conduzem a uma série de necessidades e carências, muitas das quais responsáveis pela destruição da família.

A afetividade não tem nada de ruim, pelo contrário, ela tem uma trajetória na vida das pessoas que, especificamente no que se refere ao amor conjugal, faz parte da natureza humana. Desde a infância, a criança se percebe como menino ou menina e, na pré-adolescência, nasce o interesse pela pessoa do sexo oposto. Normalmente um amor platônico, por alguém do colégio ou da rua. Considerando uma criança que recebe carinho e atenção em casa, ou seja, não muito carente, esse quadro pode se manter mais ou menos inalterado até o fim da adolescência. Na juventude ocorrem então os primeiros namoros, que, ao contrário do que muitos pensam, podem perfeitamente ser vividos na castidade, até que o jovem ou a jovem escolhe a pessoa com quem deseja se casar.

Devido à esplendorosa beleza do namoro, da descoberta do outro, inclusive fisicamente, na medida em que a intimidade física progride lenta e suavemente, muitas pessoas caem no erro de assumir que o casamento é a eternização do namoro. Imaginam que sua finalidade última é a satisfação mútua ou que, uma vez que a felicidade já esteja garantida, por se haver encontrado a “pessoa certa”, resta completá-la com conquista de uma série de bens: uma casa, um carro, um emprego, uma casa de praia, etc...

No nosso entendimento, o casamento é um degrau acima e seu objetivo não se resume à satisfação mútua, mas é um serviço prestado à construção do Reino de Deus na terra. É o maior serviço prestado à construção do Reino de Deus na terra! É na família que será formada e educada a próxima geração.

Neste ponto se coloca uma severa exigência cristã: Jesus se identifica com a pessoa que passa fome, sede, que está doente, que não tem o que vestir, é estrangeiro ou está presa. E mais: Diz que no juízo final receberá ou não os homens em Seu reino de acordo com suas atitudes para com esses desvalidos! Logo, não basta ao cristão resolver o seu problema particular. Ele tem a obrigação, diante de Deus, sob pena de não ser recebido no Reino celestial, de atentar para as necessidades e para o sofrimento alheios. E como podemos trabalhar por uma sociedade que produza menos famintos, doentes e presidiários? Só vejo um caminho: Povoar a Terra com homens honestos, bondosos, corajosos, trabalhadores, alegres e que saibam e gostem de conviver com os outros, ou seja, homens bem educados. E não falo de educação do ponto de vista acadêmico, mas do ponto de vista humano. Por isso, constituir uma família, viver e morrer por seus filhos, é a maior obra de caridade que um ser humano pode fazer.

Deus quer vir ao encontro dos homens, e não depende de nada nem de ninguém para que isso aconteça. Qualquer menino de rua pode se tornar um grande santo pelo poder de Deus. Não se pode por limites ao poder e à misericórdia Divinos.

Mas esse mesmo Deus, em sua infinita sabedoria, estabeleceu como caminho natural do homem até Ele, a família! Na profecia de Isaías, para nos dar uma idéia do que é o Seu amor, o profeta diz que o amor de Deus é maior do que o amor de uma mãe por seu filho de colo. O próprio Jesus Cristo usa a imagem do pai terreno para nos dar uma idéia de Deus, tanto que nos ensina e autoriza a nos dirigirmos a Deus chamando-o de Pai! Você já pensou nessa dimensão da missão de um pai e de uma mãe, especialmente para um cristão? Como é difícil para uma pessoa ter a plena percepção de que Deus é fiel, quando sua experiência é de um pai terreno infiel!

É essa missão tão elevada e tão sublime que deve se constituir o novo laço de união do casal: Ser pai e mãe. Ser a presença do Deus vivo para seus filhos e, a partir daí, motivar-lhes a desejar o encontro com o verdadeiro Deus. Essa missão é capaz de unir o casal tanto quanto ou mais que a descoberta do amor físico e espiritual que ocorre na juventude. Abraçar essa missão é, do ponto de vista cristão e acredito de outras religiões, fundamental para a felicidade no matrimônio e para o progresso da sociedade.

Quanto sofrimento existe no mundo pela ignorância e pela rejeição dessas realidades! Quantos casais infelizes, quanta covardia praticada contra crianças inocentes!

Em nossa família tivemos uma bênção de Deus para educação de nossos filhos. Depois de termos tido cinco filhos biológicos, tivemos a oportunidade de adotar dois gêmeos, sendo que um deles é completamente cego. Para nós foi uma ventura tanto acolher as crianças, quanto ter ocasião de ensinar a nossos filhos que devemos ser receptivos a todas as pessoas, independentemente de suas capacidades ou limitações.

Muitos não nos entenderam. Uns viram como um ato de masoquismo, outros como uma bondade extraordinária. Mas na verdade, todos seriam capazes de ver com naturalidade, a adoção, se tivessem uma visão clara de como nós vemos a família segundo o plano de Deus e da razão de ser da família para nós.

No dia 21 de março de 2005, houve um evento, no auditório da Escola de Magistratura do Rio de Janeiro, que congregou diversos profissionais que trabalham com infância e juventude. Nossa família foi convidada e comparecemos todos: eu, minha esposa e os sete filhos, diante daquela platéia de desembargadores, juízes, curadores, assistentes sociais, professores e muitos outros profissionais, para agradecer à Fundação Romão Duarte onde os gêmeos que adotamos passaram mais de dois anos abrigados, antes de ingressarem em nossa família. Eis o agradecimento que eu e minha esposa preparamos com muito carinho e apresentamos naquele dia memorável:

“Prezados Senhores e Senhoras,

A presença de nossa família nesta solenidade tem como intuito principal agradecer a todos aqueles que trabalham no sistema de proteção e promoção da infância e da juventude, pelo muito que fizeram por dois dos nossos sete filhos, tendo inclusive salvo suas vidas, retirando-os das mãos de pessoas inescrupulosas, muito antes que nós pudéssemos fazer alguma coisa por eles.

Nosso agradecimento se dirige, em particular, aos profissionais da Fundação Romão Duarte, que, enfrentando difíceis condições de trabalho, principalmente pela falta de pessoal em quantidade suficiente para fazer frente às diversas necessidades de crianças em seus primeiros anos de vida, cuidaram, por mais de dois anos, dos gêmeos Davi e Daniel, antes que estes viessem a integrar a Família Pedroso Barbosa.

A maior riqueza do nosso País está nas mãos desses profissionais. As crianças de hoje serão os homens e as mulheres com quem nossos filhos construirão e compartilharão o mundo de amanhã. Se queremos ter a esperança de um mundo melhor, precisamos educar as crianças de hoje, para que sejam os cidadãos desse mundo melhor.

Esse trabalho competiria primordialmente, ou diríamos mesmo quase que exclusivamente, às famílias. A necessidade do concurso de instituições, como a Fundação Romão Duarte, deve-se em grande parte à desagregação da família, que infelizmente é uma conseqüência lógica da mentalidade consumista e hedonista do nosso tempo. É preciso educar uma nova geração que, entre outras coisas, aprenda a viver a beleza da afetividade entre homem e mulher, num caminho delicado que vai desde a adolescência, vivida com seu recato natural, até a maravilha da união conjugal, marcada pela esplêndida missão de educar seres humanos para a vida.

Foi no curso dessa vocação de educar que a nossa família decidiu acolher os gêmeos Davi e Daniel. Nós quisemos ser seus pais e irmãos antes mesmo de conhecê-los. Não sabíamos se eram pretos ou brancos, sadios ou doentes, sabíamos apenas que um deles era deficiente visual e que eles enfrentavam problemas para serem adotados. Logo percebemos que a adoção não apenas seria boa para os meninos, mas também excelente para os nossos outros cinco filhos biológicos, seria uma ajuda inigualável para a construção do tipo de ser humano que nós esperamos formar em nosso lar.

O processo, apesar de denso, foi rápido. No dia 22 de setembro de 2003, falamos pela primeira vez com a assistente social Sueli, do Tribunal, no dia 28 de novembro, pouco mais de dois meses depois, já estávamos com a guarda provisória, levando as crianças para casa. Nesse intervalo, fazíamos duas visitas semanais aos meninos, para que eles se acostumassem conosco. Levamos irmãos, avós, tios, bisavó e enfim, os integrantes da nova família. Tivemos também três entrevistas com a psicóloga do tribunal, duas com a assistente social, visita da assistente social em nossa casa, três reuniões com grupo de pais substitutos, entrevista e várias conversas com a psicóloga e a assistente social da Fundação... Uma maratona, que, embora cansativa, nós reputamos extremamente necessária para a segurança das crianças a serem adotadas.

O processo de adaptação foi muito mais fácil do que nós esperávamos, certamente favorecido pela presença dos irmãos, essas crianças maravilhosas que os senhores podem ver. Agradecemos mais uma vez a todos os que, com seu trabalho, contribuíram na formação da nossa família.

Esperamos contribuir para plantar no coração da próxima geração o ideal de ter uma família, o ideal de ser pai, de ser mãe e dessa ou de outra forma, dar um sentido grandioso à própria existência. Obrigado!”


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Ser contra o abortamento provocado de bebês no ventre materno é uma questão ética, já que todos os seres humanos, independentemente da sua idade, ou de qualquer outra condição, têm a mesma dignidade de pessoa humana. É também uma questão científica, visto que há décadas a Ciência afirma que a vida humana começa no momento da concepção, com a primeira célula, o zigoto. É, ainda, uma questão jurídica, uma vez que todo ser humano tem, como o primeiro dos direitos, o direito natural à vida, da concepção até a morte natural. Finalmente, é uma questão também religiosa porque cada um de nós tem, acima de tudo, a dignidade sobrenatural de filho ou filha de Deus.