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Movimento em Defesa da Vida da Arquidiocese do Rio de Janeiro
Notícias

Rio de Janeiro: I Encontro Interdiocesano de Pastoral e Política

Nos dias 08 e 09/05/2009, aconteceu o I Encontro Interdiocesano de Pastoral e Política, na Casa de Retiros do Sumaré, da Arquidiocese do Rio de Janeiro, com a participação de dezenas de representantes de várias dioceses dessa Arquidiocese e também de dioceses vizinhas. O objetivo do evento foi discutir o papel de homens e mulheres de boa vontade, católicos ou não, diante de problemas como o abortamento provocado, as pesquisas com células-tronco, e a eutanásia, entre outros. Dentre os palestrantes estavam: Dom Antonio Augusto Dias Duarte, Bispo Auxiliar da Arquidiocese do Rio de Janeiro; Dom Rafael LLano Cifuentes, bispo da Diocese de Nova Friburgo; Dom Roberto Francisco Ferrería Paz, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Niterói; o deputado federal Luiz Bassuma (PT-BA); Cláudio Fontelles, ex-Procurador Geral da República, e Maria Dolly Guimarães, presidente da Federação Paulista dos Movimentos em Defesa da Vida, entre outros. Seguem trechos de algumas palestras:

Dom Antonio Augusto Dias Duarte: “Depois do Concílio Vaticano II (1961 a 1965), a Primeira Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano, realizada no Rio de Janeiro, em 1955, dedicou-se à formação do povo. Em 1966, a Conferência de Medellín (Colômbia) destacou a promoção humana. A idéia era cuidar da humanidade do indivíduo para termos um continente mais humano. Um homem novo para um continente novo. Em 1979, a Conferência de Puebla (México) priorizou a defesa da dignidade humana. O ser humano pode ser mais humano. A palavra-chave foi comunhão. Em 1992, quando comemorávamos os 500 anos da descoberta da América, a Igreja fez a Conferência de Santo Domingo (República Dominicana), na qual a idéia central foi a promoção do ser humano em todas as dimensões, inclusive no exercício da sua cidadania. Em 2007, a Conferência de Aparecida (Brasil) propôs a construção de um projeto de vida. A defesa da vida é a defesa de um projeto. Defender a vida não se restringe a aspectos físicos. Defender a vida é combater a anticoncepção, o aborto, as misérias humanas e a eutanásia. Defender a vida é nos unirmos mais a Deus para que, juntamente com Ele, possamos aperfeiçoar o mundo. A família é patrimônio da humanidade e para a humanidade. Defender a vida é fazer uma declaração de amor à humanidade. É preciso promover a paternidade responsável, é preciso combater o abortamento provocado e socorrer a mulher gestante em suas necessidades, é preciso formar os leigos. Nem sempre aquilo que é politicamente correto é reto. O correto não pode suplantar o reto. Há um abismo entre o que é correto e o que é reto também entre o que é reto e o que é santo. O reto é aquele que não mata e o santo é aquele que obviamente não mata, mas também não mata a dignidade, não mente, não julga nem condena o outro. Há questões que interpelam a nossa consciência: a miséria social, a insegurança pública, o abortamento provocado, a eutanásia, as pesquisas com células-tronco embrionárias, a clonagem humana, a prostituição infantil, e o turismo sexual. Como ser contra o aborto e aceitar as pílulas abortivas, e mesmo as anovulatórias? Não podemos ser bons católicos se não assumimos a sociedade. O cristão tem que trabalhar pelo bem comum.”

Dom Rafael Llano Cifuentes: “Sem vida não há direito. Alguns perguntam: Será que a Igreja pode interferir num Estado laico? Ora, defender embriões humanos não afronta a laicidade porque se apóia no direito humano, que é universal, diante de qualquer credo. A ética natural é um denominador comum. O indiferentismo e o ateísmo promovidos pelo Estado é que afrontam a laicidade. O antireligiosismo também é uma posição religiosa e por isso também afronta a laicidade. Aquilo que afronta a lei, sim, é contra a laicidade. Como cidadãos, temos o direito de expressar e de defender nosso pensamento, especialmente porque estamos apoiados no direito natural.”

Dom Roberto Francisco Ferrería Paz: “O laicismo do século XIX tinha suas crenças. O laicismo atual é nihilista e hedonista. Devemos nos inspirar em Santo Agostinho: ‘Nas coisas essenciais a união, nas coisas duvidosas a liberdade, e em tudo a caridade’.”

Deputado Luiz Bassuma: “Quando uma autoridade afirma que há mais de um milhão de abortos no Brasil por ano, por que ao invés de propor a legalização do aborto não propõe o combate ao aborto? Aborto é crime. Devemos lembrar das palavras do saudoso Mário Quintana: ‘O aborto não é, como dizem, simplesmente um assassinato; é um roubo, e não pode haver roubo maior porque, ao malogrado nascituro, rouba-se-lhe este mundo, o céu, as estrelas, o universo, tudo’. Crise financeira, gripe suína, virão muitas outras crises, porque a grande crise é a crise de valores. O Brasil tem todas as fontes de energia renováveis e não renováveis em abundância. Temos tudo para ser o maior país do mundo. E nos caberá desafiar os países considerados desenvolvidos e propor o fim da legalização do aborto e a defesa intransigente da vida. No tempo das nossas avós, um bebê que nascesse prematuramente raramente sobrevivia. Hoje, sobrevive aquele que tem cinco meses, ou até menos. Em pouco tempo, um nascituro de quatro meses e até de três meses poderá sobreviver, porque a vida é um ato contínuo. Lembremos também das palavras de Madre Teresa de Calcutá, aquela mulher guerreira tão frágil, que em uma Conferência pela Paz em Washington disse que ‘não haverá paz no mundo enquanto houver o abortamento de uma única criança’. A reprodução assistida não deveria existir. Um mal menor seria que apenas fossem fecundados tantos óvulos quantos são os filhos que o casal quer ter. A reprodução assistida existe porque ela gera lucros financeiros. Apenas pessoas ricas podem recorrer a ela. A maneira mais barata de ter filhos é adotar crianças órfãs.”

Cláudio Fontelles: “A Constituição garante a liberdade religiosa, ou seja, o Estado não é um Estado ateu. Lembremos deTeilhard de Chardin: ‘Somos seres espirituais passando por uma experiência material’.”

Maria Dolly Guimarães: “Quando alguém propõe e legalização do aborto nos casos de bebês anencéfalos, devemos perguntar-lhe: ‘Porque uma pessoa vai viver por pouco tempo vamos matá-la antes? Se fosse assim, poderíamos antecipar a morte de qualquer pessoa!’. Nosso país já não está vivendo uma explosão, mas uma implosão populacional. Estamos diante de uma desconstrução da lei natural, da família, e da mulher. Como se muda isso? Precisamos realizar uma contra-revolução cultural.”



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Ser contra o abortamento provocado de bebês no ventre materno é uma questão ética, já que todos os seres humanos, independentemente da sua idade, ou de qualquer outra condição, têm a mesma dignidade de pessoa humana. É também uma questão científica, visto que há décadas a Ciência afirma que a vida humana começa no momento da concepção, com a primeira célula, o zigoto. É, ainda, uma questão jurídica, uma vez que todo ser humano tem, como o primeiro dos direitos, o direito natural à vida, da concepção até a morte natural. Finalmente, é uma questão também religiosa porque cada um de nós tem, acima de tudo, a dignidade sobrenatural de filho ou filha de Deus.