Para adquirir nossos folhetos e demais materiais para palestras







Movimento em Defesa da Vida da Arquidiocese do Rio de Janeiro
Notícias

Pai desiste de pedir eutanásia do filho

Recepcionista faz críticas à Justiça e diz que entregou o filho, que sofre de doença degenerativa, a Deus

Marcelo Toledo, enviado especial a Franca (estado de São Paulo) 

O recepcionista Jeson de Oliveira, 35, recuou e anunciou ontem à tarde que desistiu de tentar obter uma autorização judicial para realizar a eutanásia no filho Jhéck Breener de Oliveira, 4.

Jhéck sofre de uma doença degenerativa do sistema nervoso central cujo quadro clínico, irreversível, já causou a perda dos movimentos dos braços, das pernas e do pescoço, da fala e da visão. Ele está internado há quatro meses no CTI (centro de terapia intensiva) infantil do hospital Unimed de Franca (SP), só se alimenta por meio de sonda e respira com a ajuda de aparelhos.

O anúncio foi feito durante uma entrevista convocada por Oliveira e seu advogado, Marcos Antonio Diniz, para falar sobre a estratégia que seria usada no pedido à Justiça, que seria protocolado ontem.

Oliveira, que está licenciado do trabalho, interrompeu a fala de Diniz no momento em que o advogado iria anunciar a ação cabível no caso e pediu para se reunir com ele em uma sala ao lado.

Cinco minutos depois, ele voltou e afirmou, com uma carta na mão, que estava desistindo da sua intenção, anunciada no último dia 29, para dar chances a sua ex-mulher e mãe de Jhéck, Rosemara dos Santos Souza, 22, que é contra a eutanásia. "Estou desistindo oficial e definitivamente. Quero dar chances à mãe e estou entregando meu filho a Deus", afirmou ele.

Em seguida, Oliveira deixou a sala correndo, sem dar entrevistas, esquecendo os óculos e deixando o advogado com os jornalistas. Foi o advogado quem revelou o teor da carta que teria provocado a desistência de Oliveira. "Era uma carta escrita pela Rosemara, como se fosse do Jhéck para o Jeson, pedindo desculpas por ter ficado doente e, com isso, ter separado os pais. Tinha, também, uma espécie de declaração de amor dela para ele", afirmou. Rosemara negou ter escrito a carta.

Decisão inesperada

"É inesperada essa decisão. Trabalhei hoje [ontem] até de madrugada e ele chegou a pagar um terço do valor combinado comigo. Não esperava nada disso", afirmou Diniz.

Antes de anunciar que tinha desistido de seu pedido, o recepcionista atacou a Justiça do país -por não autorizar a prática da eutanásia-, parte da imprensa e a sociedade da cidade de Franca, que o criticaram.

Sobraram críticas também para a família de Rosemara. "Exceto ela, os outros não se preocupam com a dor do meu filho e utilizam a doença do Jhéck para pedir dinheiro", afirmou ele. Até agora, cerca de R$ 21 mil foram obtidos com doações de todo o país para ajudar no tratamento.

O advogado disse que seu cliente não estava desequilibrado quando propôs a morte do filho por eutanásia. "Ele deve ter se arrependido. Em nenhum momento -e passamos parte da madrugada juntos- ele esboçou que iria recuar", disse.

Ainda de acordo com o advogado, a defesa da eutanásia na Justiça iria se basear no conceito de vida. "Valeria a pena viver com aparelhos assim? Queríamos uma definição do conceito de vida. Ele está ou não vivo? Essa era a tese", afirmou Diniz.

==================

MÃE DIZ ESPERAR AVANÇO DA CIÊNCIA PARA SALVAR JHÉCK

DO ENVIADO ESPECIAL A FRANCA

Dizendo-se aliviada com a desistência do ex-marido de entrar na Justiça para obter autorização para realizar a eutanásia no filho, a mãe de Jhéck Breener de Oliveira, Rosemara dos Santos Souza, 22, afirmou ontem que agora só espera o avanço da ciência para curá-lo.

"Foi a melhor notícia que poderia ocorrer. Não esperava que ele [Jeson de Oliveira] fosse desistir e creio que as orações tenham servido para isso. Estou aliviada demais", afirmou ela ao deixar o CTI Infantil do hospital para atender a Folha no fim da tarde de ontem.

Rosemara teve conhecimento da decisão do ex-marido por meio da reportagem.

Agora, sem precisar se preocupar com a decisão do marido, ela disse querer somente cuidar de Jhéck no hospital, como faz diariamente nos últimos quatro meses -só não foi ao CTI dois dias, na última semana, por causa do assédio da imprensa.

"Esperamos o avanço da ciência, da medicina, para descobrir uma forma de curar o meu filho. Agora vou cuidar dele com a cabeça fria e espero um dia poder levá-lo para casa. Infelizmente, agora não há condições para isso, mas espero um dia conseguir."

Segundo ela, o ex-marido deve ter desistido por causa da pressão que sofreu de todos os lados: as famílias de ambos eram contra, e Oliveira passou a ser pressionado nas ruas.

Anteontem, o pai disse à Folha que pensava em deixar Franca para conseguir viver em paz depois do episódio. "Só pode ter sido essa pressão e as orações que todos fizeram", disse Rosemara.

Ela também negou que tenha escrito uma carta a Oliveira no último Dia dos Pais e inserido no papel uma declaração de amor ao ex-marido, conforme afirmou o advogado dele, Marcos Antonio Diniz.

"Isso não ocorreu. Escrevi sim uma carta de amor, mas faz muito tempo, uns dois anos, época em que nem sabíamos direito o que o Jhéck tinha. Esse trecho em que o Jhéck "falaria" sobre sua doença eu não escrevi", disse ela.

Roseli dos Santos Souza, irmã de Rosemara que a acompanha constantemente no hospital, afirmou que agora, enfim, a família terá tempo também para chorar a morte do pai, João Alves de Souza, ocorrida há 16 dias.

"Ainda nem tivemos tempo."


Fonte: www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian, em 07/09/2005



        voltar à página Notícias

Ser contra o abortamento provocado de bebês no ventre materno é uma questão ética, já que todos os seres humanos, independentemente da sua idade, ou de qualquer outra condição, têm a mesma dignidade de pessoa humana. É também uma questão científica, visto que há décadas a Ciência afirma que a vida humana começa no momento da concepção, com a primeira célula, o zigoto. É, ainda, uma questão jurídica, uma vez que todo ser humano tem, como o primeiro dos direitos, o direito natural à vida, da concepção até a morte natural. Finalmente, é uma questão também religiosa porque cada um de nós tem, acima de tudo, a dignidade sobrenatural de filho ou filha de Deus.