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Movimento em Defesa da Vida da Arquidiocese do Rio de Janeiro
Documentos - Educação Sexual

Um Sentido para a Educação Sexual

A proposta de educação sexual nos currículos da escola do ensino médio é uma idéia que surge mais fortemente agora no Brasil e que já vem sendo não só discutida como até mesmo posta em prática em outros lugares. Um dos argumentos a favor da implantação da educação sexual nas escolas é o fato do grande número de gestações na adolescência e do grave problema da AIDS. Na verdade, não se observa redução nem no número de gestações indesejadas nem nas doenças sexualmente transmissíveis, onde a educação sexual foi adotada como solução para este problema. Nos Estados Unidos, a educação sexual foi considerada como a solução, e a implantação dos programas aconteceu intensamente; no entanto, os resultados são deploráveis. Por que a educação sexual tal como foi implantada não é a solução? Esta  pergunta o leitor já deve estar fazendo, pois se supõe que houvesse bons resultados. O desastre começa no próprio conceito de educação sexual. A educação sexual apresentada não toma como base valores morais e se orienta para a informação restrita de contracepção e prevenção de doenças sexualmente transmissíveis. Isto não é educação sexual. Educação Sexual é parte de algo mais complexo na vida do ser humano, a Educação, por isso a Educação Sexual não pode se restringir à informação sobre anatomia e fisiologia, ensino de meios contraceptivos e prevenção da AIDS e outras doenças sexualmente transmissíveis. Educação Sexual é antes de tudo Educação de Valores, Educação do verdadeiro Amor, Amor de doação, incluindo-se a sexualidade. Os instintos humanos são fortes, e o que difere o ser humano quanto a eles, é poder tomar consciência e controlá-los usando vontade e raciocínio. Isto é hoje desprezado, considerando-se que o jovem deve dar vazão aos instintos sem nenhum controle, esquecendo-se que autocontrole e o exercício da vontade sobre o desejo fortalecem a personalidade.

Numa sociedade hedonista, voltada para a satisfação dos instintos, o ser humano é coisificado, visto como objeto de prazer, não havendo espaço para o desenvolvimento de personalidades sadias. O jovem fica perdido, sem conseguir orientar sua vida eticamente para um ideal, e desconhece o sentido do amor. Devido à orientação errônea dada aos programas de educação sexual, onde o sentido da vida, a presença de Deus e o dom do amor são deixados de fora, os resultados são opostos aos pretendidos. Estatísticas mostram o fracasso da educação sexual feita nos moldes como se pretende implantar no Brasil.

Sofre-se hoje uma obsessão em relação ao sexo porque há um esquecimento da natureza do amor, que é sempre doação, e não egoísmo. Por várias razões a jovem engravida, algumas delas inconscientes, mas em todas os meios de comunicação exercem uma forte influência. Para muitas meninas é a oportunidade de aparecer, ganhar prestígio e ser invejada. Numa perspectiva sadia de educação sexual, o problema concreto da existência do filho não cria uma situação diferente em sua essência no que diz respeito aos jovens que tiveram a mesma experiência, mas não geraram um filho. Do ponto de vista ético, a situação é a mesma. Neste contexto, qual é o papel dos pais? Educação Sexual deve ser baseada na autoridade dos pais, a qual é dada por Deus. Isto hoje está enfraquecido, e pessoas que deveriam dar uma orientação adequada, estimulam os pais a não se meterem na vida sexual de seus filhos. Muitas vezes os pais, anestesiados pela propaganda, terminam delegando aos meios de comunicação a educação de seus filhos.

Os entusiastas da Educação Sexual dizem que as indesejadas conseqüências da atual promiscuidade sexual resultam da ignorância sexual. Isto não é verdade, basta que se vejam os desastrosos resultados da aplicação dos programas desta educação sexual. O problema não é ignorância, mas fraqueza de vontade, pobreza de vida espiritual, e falta da atuação correta dos pais. Pais são os primeiros professores e a autoridade primária, e precisam de cooperação. Não agem sozinhos, mas não podem ser substituídos.

Infelizmente, há famílias desestruturadas que não podem oferecer aos filhos uma orientação segura; por isso, a escola vê seu papel complementar cada vez mais ampliado. Isto não significa que à escola caberá a responsabilidade da educação, nem que ela possa impor tipos de programa, tais como de uma educação sexual contrária à filosofia da família. É preciso que além de uma sólida base filosófica de valores, exista a parceria com os pais. Cabe aos pais dar um conjunto de valores sólidos, ensinados por palavras e exemplos. O mundo virou uma grande feira de sexo com a explosão do adultério, divórcio, AIDS e outras doenças sexualmente transmissíveis, aborto, prostituição, pornografia, estupro, perversão e gravidez na adolescência. O fortalecimento da autoridade dos pais, conferida por Deus e alimentada pela experiência, é uma exigência urgente que pode reverter este quadro. Pais precisam usar esta autoridade e se envolver na comunidade e no governo para evitar práticas de educação sexual contrárias à moral, porque os filhos têm direito à proteção, bom exemplo, e direção.

Um programa de educação sexual nos moldes pretendidos não trará benefício algum; pelo contrário, irá exacerbar a já muito forte sexualidade dos jovens e direcioná-la para fins não legítimos. E qual é a solução? Certamente não será um programa de educação sexual visando prevenção de doenças ou de gravidez, como está sendo pretendido. Um programa de educação sexual encontra a sua essência na proposta de vida regida pela Castidade. Não tenhamos medo desta palavra. Educar para o Amor é educar para a Castidade, solução para uma vida de Amor pleno. Praticar sexo seguro é esperar até o casamento, e viver o casamento na fidelidade, por isso o valor da Castidade nos planos religioso e psicológico deve ser ensinado aos jovens. Todo projeto de Educação Sexual deve ter como núcleo a Castidade, enfatizada na sua relação com o Amor e apresentada em seu significado mais profundo.

Maria Judith Sucupira da Costa Lins é Professora Doutora da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Fonte: O Globo, 23/07/1999



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Ser contra o abortamento provocado de bebês no ventre materno é uma questão ética, já que todos os seres humanos, independentemente da sua idade, ou de qualquer outra condição, têm a mesma dignidade de pessoa humana. É também uma questão científica, visto que há décadas a Ciência afirma que a vida humana começa no momento da concepção, com a primeira célula, o zigoto. É, ainda, uma questão jurídica, uma vez que todo ser humano tem, como o primeiro dos direitos, o direito natural à vida, da concepção até a morte natural. Finalmente, é uma questão também religiosa porque cada um de nós tem, acima de tudo, a dignidade sobrenatural de filho ou filha de Deus.